A bolha das redes sociais

Um texto diferente, sobre algo que eu penso e planejo postar há um tempinho.

Sou do tipo “online o tempo todo“, conectada em quase todas as redes sociais. Não passo 1 dia sem dar uma olhada no facebook, twitter ou sem postar uma foto no instagram. Eu e grande parte do mundo. 1/7 da população mundial no facebook, especificamente (marca atingida semana passada).

Acho INCRÍVEL como as redes sociais mudaram o nosso modo de consumir a informação. Antes, quando queria uma pizza, jogava no google “pizzaria, delivery, bairo X”; hoje perguntou no twitter e peço indicação de algum @. Antes tirava fotos pra enfeitar um painel enorme que ficava no meu quarto; hoje são pro instagram.

Pessoalmente, acho isso demais. Essa conectividade toda nos possibilita conhecer o mundo com alguns cliques, faz a gente ficar pertinho de quem gostamos e está longe, pertinho das bandas e marcas que amamos. Não fui no último desfile da Dior mas vi toda a cobertura nos wwws da vida.

O problema é que toda essa rede faz a gente se fechar numa bolha. Numa pequena bolha. 5 minutos no facebook e a gente acha que todas as pessoas do mundo estão por dentro do último lançamento da banda da moda, de todos os memes e conscientes de todos os problemas mundiais.

Ou vai falar que durante a eleição você, por vezes, não se surpreendeu com todos os amigos engajados e responsáveis que você tinha. Rolou campanha contra o Russomano em SP, contra um vereador coxinha em BH e contra meio mundo de outros políticos pelo Brasil todo. Todo dia tem alguma revolução nova, uma bandeira para compartilhar e uma causa pra gente dar um RT. Viramos um bando de revolucionários online, que pretendem mudar o mundo com um post no mural. Pois é, e o Russomano QUASE foi pro 2º turno, o vereador coxinha foi eleito e a empresa X de telefonia continua sambando na cara dos consumidores.

Ai você, indignado, pensa “Mas poxa, TODOS os meus amigos falam sobre isso!”. Ok, e quantos amigos nós temos mesmo nas redes?

1/7 da população mundial está no facebook. Dessa galera toda, mais da metade está ali só pra curtir o “humor no face”. Então não dá pra pensar que você está mudando o planeta postando “mais amor, menos gás carbônico” se continua com os mesmos hábitos no dia-a-dia, se não oferece carona para os amigos ou joga lixo no chão. Não estamos fazendo nossa parte xingando na nossa bolhinha e ficando calados quando vemos alguém parando na vaga de deficiente.

A “revolução da internet” é incrível e ta aí pra gente usar, abusar e explorar, mas não podemos ignorar a vida real e viver de RTs, likes e relacionamentos por DMs. Não dá pra sentar num bar com os amigos e passar o tempo todo lendo a timeline (e isso vale muito pra mim, confesso!). O mundo já está na internet… O caminho agora é outro. É levar todas as possibilidades das redes pro real. É transformar os RTs em conversas, os likes em sorrisos e as DMs em muitos olhares.

Pensa aí: com quantas pessoas vc falou hoje pelo chat e com quantas pessoas você falou de verdade?

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5 opiniões sobre “A bolha das redes sociais

  1. Carol Teixeira em disse:

    Sensacional!

  2. Achei seu blog por acaso e gostei muito!
    Beijos :*

  3. O debate é bem bom e você levantou alguns pontos interessantes, mas discordo de você que o caminho é pegar o que está sendo feito no online e transportá-lo para o offline. Na verdade, acho que, exatamente por existir APENAS 1/7 da população neste ambiente, é que os esforços devam ser feitos no sentido de permitir a essa maioria o acesso.

    É acesso a informação. É acesso a debates, a pontos de vista, a agressões (péssimas, eu sei, mas fazendo parte da construção da sociedade). Nada disso deve ficar restrito a uma minoria.

    O ambiente online que hoje vivemos é ainda muito insípido. Ninguém sabe lidar ainda com essa integração, com o potencial que uma coisa tem, mas que não é relevante pros outros. Muita gente tenta se tornar uma celebridade online e cria máscaras e personagens num ambiente onde é fácil “se esconder”, mas não consegue se sustentar numa mesa de bar, por exemplo. Você mesma sabe tanto quanto eu disso (provavelmente você também tenha amigos que são bem qualquer coisa no dia a dia, mas que parecem super engraçados e interessantes quando vistos por uma tela). As particularidades de um são intransponíveis para o outro (não consigo sentar e conversar com um amigo meu na Russia e outro na Austrália, por exemplo), mas ainda não chegamos num caminho em que eles se completam. As revoluções online estão servindo pra nos mostrar o potencial deste meio, mas continuam tendo um impacto baixo no mundo. Você mencionou questões mais recentes, mas lembre-se (ou não) do Kony2012. Quedê conclusão? Quedê o mundo indo contra (ou a favor)?

    Pra não me alongar muito, concluirei dizendo que, na minha visão, o ambiente online nada mais é do que apenas uma nova vertente do mundo. Uma ferramenta a mais na formação do indivíduo. Fechar-se nela é uma alternativa, mas você vai continuar perdendo o calor do sol. Vale a pena?

  4. Muito bom texto, Gabi. Simples e claro.

  5. O texto traduz uma realidade (a little) triste dos dias de hoje, mas acredito que a bolha sempre existe, independente do contexto. Nos prendemos ao cigarro, a paixões, artistas que gostamos tanto que as vezes fica difícil ouvir outra coisa… e não tem como! Quando você tá nessa, nada te faz mudar.

    Redes sociais são ótimas, desde que utilizadas com critério (como chocolate, álcool, etc etc etc) o que realmente importa, ao fim, não se contenta com o “like”, RT, DM’s. Cada um escolhe a sua bolha.

    Prefiro minha combinação predileta: cerveja + violão + amigos. : )

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